O domingo na Paulista e o que nos falta como sociedade
No último domingo, dia 25, acabei na Avenida Paulista por puro acaso. Tinha um compromisso e nenhuma ideia de que haveria uma manifestação. De repente, me vi engolida por aquela multidão e, confesso, saí dali pensativa. Na verdade, saí perplexa. Fiquei observando aquele mar de gente — a maioria de classe média — e senti um nó na garganta. Onde está toda essa energia quando o assunto é o que realmente dói no Brasil? Por que não vemos esse mesmo empenho para cobrar soluções contra a fome, que ainda castiga milhões de nós? Por que não ocupamos as ruas com essa mesma garra para exigir uma saúde pública digna ou uma educação que não abandone nossas crianças pelo caminho? A sensação é de que a política virou um jogo de futebol, esquerda e direita são as torcidas. É o azul contra o vermelho, um embate de slogans onde o propósito real simplesmente se perdeu no barulho. Gritamos frases prontas, levantamos bandeiras e, na segunda-feira, voltamos à nossa indiferença habitual diante da miséria do ...