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Mostrando postagens de maio, 2026

O tesão passa. E tudo bem

 Algumas pessoas vivem em modo econômico. Eu nunca consegui. Gosto de viver as coisas por inteiro e me entusiasmo fácil pela vida. Por pessoas, conversas, ideias, projetos, lugares, possibilidades. Sempre fui assim. Quando algo me desperta curiosidade ou encanto, eu mergulho de cabeça. Se descubro um assunto novo, viro noites aprendendo. Se conheço alguém interessante, me permito sentir a experiência sem fingir desinteresse só para parecer emocionalmente sofisticada. Talvez a confusão aconteça nesse ponto. Existe uma tendência quase automática de transformar qualquer conexão bacana em promessa de eternidade. Nem toda troca precisa seguir o roteiro de conhecer, namorar, noivar, casar, envelhecer juntos e dividir o mesmo plano de saúde até o fim dos dias. Eu não acho que toda experiência bonita precisa virar destino. A verdade é que quem olha para uma mulher entregue a um final de semana intenso e assume que ela já está de olho no altar, ainda é refém de um roteiro muito antigo. O pa...

Energia, escolhas e o filtro interno

Eu, por força do hábito, a cada dois meses faço uma análise geral de armários e gavetas. Hoje não foi diferente e, enquanto eu organizava o que ia para o lixo e o que seria doado, me lembrei de uma conversa que ouvi esses dias. Uma moça estava contando no ônibus que jogou fora uma panela porque tinha soltado a alça e alguém que ela segue disse que “consertar objetos quebrados” atraía energia de pobreza . A moça jogou fora sem ter outra panela e agora estava improvisando para cozinhar. É estranho o poder que a gente dá para as pessoas na internet. Entendo que há estudos sérios sobre energia de pobreza, minimalismo, lei da atração... Eu mesma pratico alguns desses ensinamentos e vejo dando muito certo. Mas a gente precisa de discernimento. Se não, a gente cai em uma espécie de má-fé moderna, que é terceirizar a nossa autonomia e deixar que um estranho na tela defina o valor das nossas posses e da nossa realidade. Se bobear, a gente se torna extremamente consumista, descartando o que ...

O algoritmo não teve infância

Frequentemente, tento manter o hábito da escrita vivo. Por isso, dia desses, peguei alguns textos antigos meus. Textos escritos numa época em que o que eu sabia sobre IA se resumia ao filme Minority Report, e joguei em um desses detectores de IA. Tamanha a minha surpresa quando o software jurou que eles tinham sido gerados por uma máquina. É um choque ler isso. De repente, o meu cuidado com as palavras, o fato de eu não abrir mão de escrever da forma correta, meu jeito de organizar o pensamento, a estrutura e todo o resto que são resultados de uma meticulosidade irritante, viraram padrões matemáticos para um programa de computador. É como se, por eu me expressar com clareza, eu tivesse perdido o direito de ser reconhecida como humana. Acho que é um aborrecimento bem comum para quem está acostumado a ler e escrever, mas esse erro dos detectores me fez perceber que a tecnologia pode até imitar o jeito humano de escrever, mas ela não tem a minha história. O algoritmo não teve infância...