O domingo na Paulista e o que nos falta como sociedade

No último domingo, dia 25, acabei na Avenida Paulista por puro acaso. Tinha um compromisso e nenhuma ideia de que haveria uma manifestação. De repente, me vi engolida por aquela multidão e, confesso, saí dali pensativa. Na verdade, saí perplexa.

Fiquei observando aquele mar de gente — a maioria de classe média — e senti um nó na garganta. Onde está toda essa energia quando o assunto é o que realmente dói no Brasil? Por que não vemos esse mesmo empenho para cobrar soluções contra a fome, que ainda castiga milhões de nós? Por que não ocupamos as ruas com essa mesma garra para exigir uma saúde pública digna ou uma educação que não abandone nossas crianças pelo caminho?

A sensação é de que a política virou um jogo de futebol, esquerda e direita são as torcidas. É o azul contra o vermelho, um embate de slogans onde o propósito real simplesmente se perdeu no barulho. Gritamos frases prontas, levantamos bandeiras e, na segunda-feira, voltamos à nossa indiferença habitual diante da miséria do vizinho. Me pergunto: que patriotismo é esse que não se comove com a fome do próprio povo?

Precisamos, urgentemente, resgatar o básico. Menos ideologia, mais empatia.

Mudança de verdade não nasce de post em rede social. Vem de política pública que funciona, de ação que ataca a desigualdade na raiz do problema.

Fome não se resolve com discurso. Saúde não pode ser luxo. E educação não deveria ser definida pelo CEP onde alguém nasceu.

Precisamos descer do salto dessa nossa ilusão de grandeza. Político não é celebridade para ser idolatrado, eles são servidores, e nós somos os patrões. Meu compromisso (e acho que deveria ser o de todos nós) não é com nomes ou legendas partidárias, mas com uma sociedade que seja, minimamente, justa.

Que a indignação que leva alguém para a rua num domingo de sol também sirva para cobrar ética na segunda. Que sirva para lutar por um sistema de saúde que não tenha filas intermináveis.

No fim das contas, a política é para garantir que todo mundo consiga viver com dignidade. Menos fanatismo, mais diálogo e, acima de tudo, mais humanidade. É o mínimo que devemos uns aos outros.

 

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