O fim do 8 ou 80 no consumo de animais e derivados
Há algum tempo tenho refletido sobre o nosso modo de consumir carne e alimentos derivados de animais em geral (Leite, queijo, ovos, etc) e, honestamente, me preocupa o consumo desenfreado e os impactos disso ao planeta: Extinção de espécies, aumento e disseminação de doenças e o sofrimento enfrentado pelos animais nos abatedouros.
Alguns amigos acreditam que o consumo de carne traz mais benefícios para o nosso corpo do que malefícios à natureza. Eu também pensava dessa forma até algum tempo. É difícil ter uma perspectiva diferente quando desde o início fomos educados a consumir animais e derivados. Grandes marcas vendem papinhas com sabor carne, frango e peixe e, antes de podermos formar alguma consciência sobre uma alimentação a base de vegetais, nos tornamos viciados em carne.
Após algumas pesquisas e um pouco de força de vontade, tenho o grande prazer de compartilhar, através deste texto, alguns pensamentos e descobertas que fiz acerca desse tema.
Fome de carne e
deficiência nutricional
Há controvérsias sobre a adequação das dietas vegetarianas. Algumas
pessoas acreditam que evitar carne, ovos e peixe possa colocá-las em risco de
deficiência nutricional, porém, a maioria dos especialistas concorda que uma
escolha sábia de alimentos pode amenizar e, até mesmo, evitar estes problemas. A falta de
cálcio pode ser tratada com a ingestão de couve, ou tofu, por exemplo, além da
suplementação adequada quando necessário.
Em geral, os vegs modernos são tão saudáveis quanto àqueles
que comem carne, além de apresentarem taxas mais baixas de doenças cardíacas,
conforme uma pesquisa da Universidade de Oxford.
Comer carne é um
vício?
Apesar das evidências sobre a necessidade nutricional da
carne, as pessoas se comportam como se a carne fosse um componente vital da dieta.
As
pessoas são viciadas em carne devido às suas propriedades de sabor. O desejo de
comer carne é controlado pelos prazeres sensoriais de consumir alimentos de
origem animal.
Buscando alternativas
Em um primeiro momento, o vegetarianismo e o veganismo parecem uma seita onde todos os adeptos da prática querem converter as outras pessoas, o que dificulta a aceitação por quem vê ambas as práticas como extremas, mas você já ouviu falar sobre Flexitarianismo e Reducetarianismo?
Diante da dificuldade na transição para o veganismo e o
vegetarianismo, foi criado o movimento Reducetário, que estabelece a inclusão de
dietas vegetarianas, veganas, onívoras e flexitárias no cotidiano.
Um Reducetário é alguém que escolhe
reduzir a quantidade de produtos de origem animal, como a carne e os laticínios
e, ao contrário dos veganos ou vegetarianos, um Reducetário não tenta eliminar permanentemente
essas coisas de sua dieta, mas reduz a quantidade de alimentos originários de
animais em 10% das refeições.
Particularmente, considero as dietas Flexitária e Reducetária,
muito semelhantes, mas acho importante mencionar ambas, pois, assim como os termos eram novos
para mim, também podem ser para você.
Em um primeiro momento é possível confundir o Flexitarianismo com o
Reducetarianismo, mas no site oficial da Reducetarian Foundation, encontrei a diferença
exata entre ambos:
“Enquanto os
flexitaristas comem principalmente plantas com a inclusão ocasional de carne,
ovos e laticínios, os reducionistas conscientemente e gradualmente reduzem o
consumo desses produtos de origem animal com relação à sua própria dieta.”
Atualmente me considero Reducetária. O que me levou a essa mudança na alimentação, além do que expus no primeiro parágrafo, foi, principalmente, a conscientização de que somos uno com o universo e estamos todos interconectados energeticamente.
Não sei se algum dia
serei capaz de eliminar totalmente os alimentos provenientes de animais, mas
sinto que dei um grande passo rumo a um mundo melhor. De acordo com um estudo
publicado pelo jornal The Science,
a atitude de reduzir esse consumo é o maior passo que podemos tomar em
benefício do meio ambiente.
Eu entendo que, a princípio até uma dieta menos restritiva pode
assustar, mas colocar em prática é mais fácil do que
parece.
Algo que tem me ajudado a manter a disciplina em relação ao
reducetarianismo, foi estipular dias específicos da semana para me alimentar
apenas de alimentos veganos ou vegetarianos, além de incluir em minhas refeições - não só nesses dias selecionados, mas também em determinadas refeições - alimentos engenhosamente inventados, como carne de soja ou feita a base de plantas.
Essas "carnes" possuem um sabor equivalente ao da carne que estamos acostumados e, por experiência própria, considero que também aumentam o nível de saciedade, evitando refeições paralelas ao longo do dia, evitando a sobrecarga do nosso sistema digestivo.
Talvez você pense como eu pensava antigamente, que isso não é suficiente porque todo o resto do mundo
continua consumindo carne de forma desenfreada, mas tenha em mente que tudo começa com o primeiro
passo, tudo começa por cada um de nós.