Desigualdade alimentar
No mundo, neste momento, existe mais de 1 bilhão de pessoas em situação de extrema pobreza e, consequentemente, em vulnerabilidade alimentar. No Brasil, este número ultrapassou em setembro de 2020 a marca de 10 milhões.
Para exemplificar, imagine a cidade de São Paulo e seus habitantes, uma das cidades mais populosas do país. É isto que o número representa, a quantidade de pessoas de uma cidade em situação de fome, sem a certeza que ou se terão o que comer ao fim do dia.
Já ouvi pessoas dizendo que 'para resolver esta situação, basta arrumar um emprego', quem diz isso nunca passou fome, certeza.
Quem consegue participar de uma dinâmica em grupo quando nem se lembra de quando teve a última refeição?
Noss últimos meses, um pacote de arroz chegou a custar quase R$30,00 em muitos lugares, portanto, é de se imaginar que a pandemia (que ocasionou a perda de 30 milhões de postos de trabalhos informais), também dificultou ainda mais o acesso á alimentação de determinados grupos. Além dos preços, regiões com concentração de pessoas de baixa renda não possuem muitas opções de comércio e, quando possuem, nem sempre os produtos ofertados são de boa qualidade.
Quando comparamos estes números com os dados divulgados em 2014, quando o Brasil estava oficialmente fora do "mapa da fome" de acordo com a ONU, nos questionamos sobre como, em tão pouco tempo, chegamos à essa situação trágica e alarmante.
Segundoo o IBGE, nos 10,3 milhões de pessoas consideradas em situação de vulnerabilidade alimentar, não foram incluídos os moradores de rua, ou seja, o número é ainda pior do que os dados estatísticos divulgam.
A hipocrisia aparece quando lembramos que o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de alimentos, mas a hipocrisia enche a barriga de quem além daqueles que lucram com toda a miséria? Devemos lembrar que a falta de comida pode ocasionar e agravar o desenvolvimento social, além de doenças crônicas, mentais e deficiências.
Desde o principio da pandemia de corona vírus, ativistas e estudiosos alertaram que a fome no país alcançaria uma escala não vista por décadas, devido, inclusive, a cortes que vêm sendo realizados desde 2015 em programas sociais, justificados pela recessão que o Brasil enfrenta.
Enquanto eu escrevia este texto, pessoas pobres se tornaram ainda mais pobres, os preços dos commodities continuam aumentando e o auxílio disponibilizado foi negado a pessoas que precisavam deste dinheiro para garantir uma refeição para a família.
Enquanto você lia, algumas pessoas ficaram sem água potável, sem energia e sem esperança.
Infelizmente, daqui a dois dias, metade das informações deste texto terá sido esquecida pela maioria dos que leram até aqui, uma parte desses leitores espera (e acredita) que o governo irá resolver. Tudo bem se você pensar assim, a maioria de nós está tentando se salvar e a minoria está tentando, ao menos, sobreviver.
Muitos de nós estamos preocupados somente com o próprio umbigo e sabemos apenas o que é a fome entre as refeições.
A epidemia de fome é maior que a pandemia de covid e, com esse vírus, ela está se agravando, mas a fome é silenciosa, então passa despercebida.