Uma luz para o SUS

  Há alguns dias acompanhei um colega a um hospital público. Ele não tem convênio e não tem como pagar um, mas havia se acidentado. Após a consulta com o clínico geral em uma UPA, fomos informados que ele necessitaria realizar mais exames, o médico recomendou uma internação. Já era tarde e precisávamos aguardar um leito disponível. Esta vaga poderia surgir em qualquer região, qualquer hospital. De uma forma irônica, meu colega disse “Salvem o SUS” e, naquele instante, me lembrei de todas as vezes que o SUS esteve lá por mim.

Mesmo tendo convênio médico, frequentemente, opto por ir ao AMA que fica próximo a minha casa. O tempo de espera é relativamente menor do que os hospitais particulares da região e a estrutura é bastante completa, consigo fazer exames, tomar a medicação na hora e, se desejar, ainda posso adquirir os medicamentos da receita na farmácia pública do local.

Toda vez que preciso ir a este AMA, há muitas pessoas, mesmo assim, o atendimento é único e especial. Digo “especial” porque fazem questão de ouvir suas queixas e tentar tratar da melhor maneira possível.

Este ano precisei fazer exames de COVID algumas vezes porque pessoas próximas a mim haviam adquirido o vírus  e, na última vez, porque eu estava com dores fortes de cabeça e, para se precaver, o médico resolveu testar. Felizmente, em todas as situações o exame deu negativo, tanto o PCR quanto o de sorologia. Em uma breve pesquisa no Google, encontrei os valores destes e de outros exames relacionados ao COVID19.

Teste

Valor

RT-PCR

R$ 280,00

 RT-PCR em Saliva 

R$ 280,00

Antígeno

R$ 145,00

Anticorpos Totais

R$ 169,00

Anticorpos Neutralizantes

R$ 338,00

Sorologia IgG isolado

R$ 149,00

Sorologia IgM isolado

R$ 149,00

Sorologia IgG/IgM

R$ 240,00

 

Considerando a tabela acima, podemos imaginar quanto eu teria gasto se não fosse pelo SUS. Isso sem contar os remédios que minha mãe utiliza para seu tratamento e também conseguimos pegar na farmácia pública quando estão disponíveis.

Por que defender o SUS é tão importante?
Como eu disse, conseguimos pegar alguns remédios quando estão disponíveis, ou seja, existem outros que sempre estão em falta e é preciso comprar. Meu colega precisou aguardar um leito ficar disponível, o que poderia levar horas ou dias, por ser muito tarde e ambos estarmos cansados e preocupados com a situação, resolvemos ir até uma clínica particular onde ele desembolsou R$150,00 pela consulta com direito a um retorno. Como foi um acidente grave, posteriormente, precisou retornar e pagar mais R$150,00. Ou seja, foram R$300,00 gastos com algo que poderia ser gratuito se o país investisse em saúde. Quantos sofrem por não ter recursos o suficiente para cuidar da própria saúde?

Além deste colega, conheço outras pessoas que, constantemente, apresentam alguma queixa que requere um diagnóstico profissional, tratamento e uma cura.

Mesmo antes da pandemia que estamos enfrentando era complicado conseguir uma vaga em algum hospital. Isso tudo porque o nosso sistema único de saúde está saturado e não recebe a atenção que deveria.
Pelo mundo, o Brasil é admirado pelo SUS, mesmo com todas as dificuldades, ainda oferecemos atenção primária à saúde para milhões de pessoas, principalmente as mais pobres, que antes não tinham acesso.

No Brasil, a assistência médica é universal desde 1988. Prestadores privados subsidiados pelo governo federal através do orçamento da Previdência Social, ou do setor privado por meio de seguros privados ou empregadores . Qualquer pessoa que esteja legalmente no Brasil, incluindo os estrangeiros, está coberta por assistência médica, o que inclui também as vacinas. Engana-se quem pensa que apenas a vacina contra a COVID é fornecida pelo SUS. Todas as principais vacinas que tomamos durante a vida são ofertadas GRATUITAMENTE pela rede pública e, por isso, olharmos para este tema é tão importante.

Teoricamente, o sistema de saúde é uma medida importante para garantir a boa saúde pública da população, pois quando as pessoas estão doentes, elas poderão receber um bom tratamento e, assim, ter uma expectativa de vida mais longa. Além disso, podemos ver os impactos negativos de um sistema de saúde precário em algumas regiões do país. Devido à infraestrutura hospitalar precária e às más condições de vida nas áreas periféricas e rurais. Uma das principais razões para isso é o financiamento inadequado do sistema de saúde. Os gastos do setor público com o SUS representam aproximadamente R$3,83 per capita, de acordo com divulgação do CFM (conselho federal de medicina).

O financiamento da saúde no Brasil varia muito de um lugar para outro, mas poucos estados são ricos o suficiente para fornecer complementos generosos, resultando em 60% de todos os gastos com saúde no Brasil como privados, que cobrem principalmente a minoria rica.

Todos os dias vemos alguma notícia sobre pessoas ricas ou famosas que estão passando por algum problema de saúde e estão resistindo – tudo graças ao poder aquisitivo que possuem. Como esperar a mesma resistência de uma pessoa que não tem como arcar com um bom plano médico, um bom leito em um hospital particular?

A falta de investimento em saúde é um plano de extinção. Uma forma de aumentar a desigualdade e acabar com as classes mais pobres. Morreremos por fome ou pelas doenças que atingem o mundo. Estamos vulneráveis.

Saúde e justiça são temas que deveriam andar juntos. Como garantir dignidade a um povo doente? Para isso, é necessário enxergarmos, lutarmos e defendermos o SUS. Cobrarmos nossos governos por mais investimento, por mais hospitais e mais cargos na área da saúde para que toda a população seja abrangida.

 

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