La la land, romances clichês e a inconstância do ser

 A essa altura do campeonato se você me segue, sabe que La La Land é um dos meus filmes favoritos e, caso você não seja um conhecido ou um leitor assíduo deste humilde blog, espero que já tenha assistido a essa obra de arte lançada em 2016/17. Caso contrário, tudo bem... Não há spoilers por aqui.

Surpresas a parte, ou não, o que torna este filme tão querido por mim é a imprevisibilidade da história. Não é um clichê. 

Recentemente me disseram que durante o filme os protagonistas se desencontram. Embora eu não tenha discutido sobre isso com o emitente deste pensamento, eu discordo. Não há desencontros. O mérito individual dos personagens está atrelado ao encontro dos protagonistas e ao amadurecimento individual de cada um em decorrência disso.

De todos os filmes românticos, este é o que considero mais realista, pois o romance não é o cerne da história e isso me encanta.

A cena final descreve essencialmente como a vida poderia ter sido para os dois protagonistas... Mas não foi.

Este filme deixa bem claro que o amor romântico não é uma prioridade. Na história vivida pela Emma Stone e pelo Ryan Gosling, a realização dos próprios sonhos é o objetivo da vida de cada um e tudo isso é transmitido em dois níveis paralelos e simultâneos durante as duas horas de filme. O primeiro é leve, frívolo, quase óbvio. O segundo é oculto, profundo e agridoce.

Você já deve ter ouvido que quanto mais perseguimos a felicidade, mais nós nos tornamos insatisfeitos e infelizes. O mesmo acontece com o amor, mas mesmo assim, vivemos em uma sociedade que incentiva nos tornarmos escravos de nossos sentimentos, além de impor o amor romântico como um prêmio a ser conquistado. Com isso, vemos a angústia relacional assolar a sociedade desde o século XVIII. 

Peço calma aos românticos de plantão que talvez tenham se ofendido até aqui. Não estou negando a existência desse tipo de amor, mas sabemos que na realidade as coisas não são assim. Em La La Land vemos esse amor idealizado colidir com os compromissos da vida e isso se baseia no imaginário comum do idílio do casal.

Há também outro fato a analisar quando assistimos a este filme. As coisas mudam. Pessoas mudam. Coisas acontecem. Nada é permanente e isso fica claro através da trilha sonora que é ora alegre e ora melancólica, desviando a atenção do individualismo que se esconde por trás das paixões inocentes do casal jovem e sonhador. O mesmo cinismo que subjaz à sociedade da qual La La Land parece querer que fujamos, em que os sentimentos, as pessoas e o amor nada mais são do que um quadro intercambiável de realização pessoal. 

Diante disso, não faria sentido apresentarem um final com um "felizes para sempre" que dependesse da união dos protagonistas. Somos seres mutáveis, feitos de impulsos biológicos. Nada é permanente. 

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