O direito de sentir

O Facebook me trouxe uma lembrança esses dias que me fez parar para pensar. Eu estava no ônibus quando vi um menininho, de uns oito anos, chorando muito. A mãe dele, tadinha, na tentativa de acalmá-lo, disse que todo mundo no ônibus estava olhando e que aquilo era "feio".

Na hora, meu coração ficou apertadinho. Fiquei pensando em como, desde bem pequenos, a gente acaba aprendendo que mostrar o que sente é motivo de vergonha. O choro é o jeito que a criança tem de dizer que algo dói, que está triste ou frustrada, mas a primeira reação de muitos adultos é tentar silenciar esse sentimento.

Quando a gente diz para uma criança não chorar, ela pode começar a sentir que tem algo de errado com ela. E o que a gente guarda, sem resolver, acaba virando um peso lá na frente.

O que eu mais desejo é que as crianças possam crescer sabendo que o que elas sentem é válido. Que elas encontrem braços abertos e ouvidos atentos, para aprenderem que é seguro compartilhar as emoções. Poder dar nome ao que dói e saber que está tudo bem colocar para fora faz a vida ser muito mais leve.

Afinal, a forma como somos acolhidos quando pequenos diz muito sobre quem nos tornamos. Criar um espaço onde o outro se sinta livre para sentir é um dos atos mais bonitos de respeito que existem. Crescer sabendo que não tem nada de errado em chorar deixa o coração muito mais em paz.

E você, também já sentiu que precisava esconder o que sentia? Como foi para você aprender a lidar com as suas emoções?

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